Minha viagem à Bonito/MS - Brasil parte 2

O que eu fiz em Bonito

Confira o primeiro post aqui. English version here.
Cheguei na cidade com as atividades planejadas. Dos 8 dias, 2 ficaram para check-in e check-out, e um deixei livre para conhecer a cidade. A agência havia me sugerido ir à Fazenda San Francisco na quinta, mas optei por deixar o dia livre. A programação de passeios ficou:

SegundaGruta do Lago Azul
TerçaCachoeiras do Rio do Peixe
QuartaRecanto Ecológico Rio da Prata
Quinta-
SextaCachoeira Boca da Onça
SábadoNascente Azul

Algo que eu realmente não queria fazer era acordar cedo. Então, a maioria dos meus passeios ficou agendado entre as 8 e 9 da manhã, sendo a única exceção o Boca da Onça que foi as 6:30.
Para mim a programação ficou perfeita!

Vamos aos passeios.

Segunda - 9/02 - Gruta do Lago Azul (Guia: ?)

Este é um passeio contemplativo, não é permitido nadar na gruta. Recomendo que vá com roupas confortáveis e leves, e evite carregar uma mochila pesada.
Não se esqueça de levar seu melhor equipamento fotográfico!
Para chegar até a gruta você percorrerá uma pequena trilha, parcialmente plana, e posteriormente precisará caminhar por vários degraus. A ida foi tranquila, mas a volta foi bastante cansativa.
O passeio todo leva menos de duas horas.

Fiquei sabendo que a partir do dia 25/Fev a gruta será fechada para manutenção nas escadarias da trilha - que atulmente não são muito seguras.
Para que você consiga ver a água azul e cristalina, é importante que o dia esteja ensolarado ou até levemente nublado. Opte em ir nos primeiros horários da manhã.
Como a maioria, não consegui uma boa foto, apesar das condições favoráveis.

Gruta Lago Azul 1 Gruta Lago Azul de fora Gruta Lago Azul de dentro

Terça - 10/02 - Rio do Peixe (Guia: Rodrigo)

Neste passeio você vai nadar em diversas cachoeiras, bem como conhecer os animais que vivem na região - a anta Gigi, os macacos, as araras... Aliás, é a Gigi que recepciona os turistas.

Depois de uma manhã conhecendo cachoeiras incríveis, você retorna à fazenda para um almoço. E que almoço!
Para mim, vegetariano, foi excelente. Imagine para os que comem carnes; Comi uma espécie de torta chamada Sopa Paraguaya. Muito bom, não vejo a hora de tentar fazer aqui em casa.

Acompanhando o excelente almoço serviram também diversas opções de sobremesas locais, como os doces de abacaxi, abóbora, goiaba, melancia. Meu preferido foi o Doce de Leite com 12h de fogo (ou algo assim): É semelhante ao nosso doce de leite, mas ele é "queimado" ou caramelizado, o que deixa ainda melhor! Não saia de lá sem prová-lo!

Depois de se empanturrar, existe um redário na fazenda. Isso mesmo. Não bastasse encher a pança, você ainda pode dormir no redário. São em torno de 80 redes, pelo que pude contar.

No meu caso, dormir no redário ficou ainda melhor pois começou uma chuvinha de fim de tarde... Zzz

Eu já estava pronto para ir embora, quando descobri que depois do almoço ainda conheceríamos duas outras cachoeiras. E lá fomos caminhar e nadar mais um pouco. Acredito que no total foram 9 cachoeiras.

De volta à fazenda, o proprietário (Sr....? esqueci =/) chama os macacos e deixa que os alimentemos com frutas. Você também pode brincar e tirar fotos com a anta Gigi.
No final, ele ainda traz as Araras e permite que você tire foto com ela em seu ombro e/ou cabeça. Incrível!
Este foi o melhor passeio que eu fiz!

Duas antas na foto!

Uma das cachoeiras

Duas araras!

Quarta - 11/02 - Buraco das Araras / Rio da Prata (Guia: Panda)

Neste dia tive uma surpresa. Havia agendado apenas o Rio da Prata, mas a van passaria pelo Buraco das Araras deixar um grupo antes de ir ao Recando Ecológico Rio da Prata.
Os que não possuíam voucher para o passeio Buraco das Arara teriam que esperar por duas horas. O guia foi muito legal e conversou com o pessoal do passeio, e conseguimos adquirir o voucher diretamente no local e ir junto com o grupo.
Claro, pode ter sido uma estratégia de venda, mas eu fiquei contente por não ter que ficar esperando e ainda pude conhecer o famoso Buraco das Araras!

Sobre o Buraco das Araras, tivemos sorte. O guia nos disse que geralmente as araras podem ser vistas em épocas mais próximas ao seu período de reprodução – que é quando elas retornam ao Buraco – e que corríamos o risco de não ver nenhuma.
Tanto na trilha até o Buraco das Araras quanto no Buraco, vimos diversas Araras! Paramos de contar depois da décima quinta! Foi muito legal!
O passeio também foi bastante instrutivo, com o guia explicando sobre a vegetação, as frutas, os animais... Comentou também sobre a formação da dolina e as histórias do local.
É um passeio contemplativo e eu tirei várias fotos boas lá!
Pelo menos duas Araras é garantido que você vai ver! Buraco das Araras Olha esse casal simpático!

Saindo de lá fomos ao Rio da Prata ("Recanto Ecológico Rio da Prata"). Este é um passeio de flutuação (snorkeling). Estava ansioso pois nunca havia feito isto, e fiquei babando nas imagens que encontrei na internet.

Você faz uma trilha até a nascente do rio Olho D'água. Depois, faz o caminho de volta flutuando.
O passeio (trilha + flutuação) leva em torno de 4 horas, mas não é cansativo.

Assumo: no começo a flutuação deu um pouco de aflição. Você tem que boiar, não pode pôr os pés no fundo do rio, tem que respirar através do snorkel e ainda tirar fotos! Ainda bem que sou multitasking :D

Fiquei meio tenso no começo, tentando nadar... depois entendi que o negócio é relaxar e deixar o rio te levar. Adorei!

Neste passeio você tem que levar uma câmera subaquática. Seja uma GoPro, seja uma alugada, seja seu celular num case. Não importa. Confie em mim, leve uma câmera subaquática!

Em certo ponto, o rio Olho D'água se junta ao Rio da Prata. Nesse momento o guia define se o restante do percurso será via flutuação, trilha ou barco. Isso acontece pois quando os rios se juntam a água fica turva, ainda mais por ter chovido na noite anterior.
Chegamos até a junção mas infelizmente não pudemos continuar a flutuação, e fomos de barco elétrico por cerca de 2km de volta ao recanto.
De volta ao recanto, almoçamos. Estava bom mas não tanto quanto no Rio do Peixe. Talvez seja porque minhas expectativas estavam muito altas.
Este foi meu segundo melhor passeio.

Voltando de Barco elétrico

Olha a cor dessa água!

Pacus passeando

Sexta - 13/02 - Cachoeira Boca da Onça (Guia: Brasil)

Eu estava um pouco ansioso por este passeio também. Seria uma mistura de nadar em cachoeiras e contemplação.
Uma dica: você não poderá usar chinelos durante a trilha. Recomendo que vá de papete/sandálias, pois em alguns lugares as pedras na parte rasa do rio são pequenas e podem machucar os pés. Você não precisa tirar a papete para nadar!
Eu fui de tênis (como a maioria), mas ficar tirando, calçando e secando os pés por várias vezes foi meio chato. Sem contar o estado das meias...

Enfim, sobre o passeio. A Boca da Onça é a maior cachoeira do estado do Mato Grosso do Sul, com cerca de 130 metros de altura. Durante a trilha, nós observamos algumas cachoeiras e nadamos em outras. O caminho é longo, mas há pausas para nadar que dão uma recarregada nas baterias :)

Conversando com o guia, perguntei se encontraríamos uma planta conhecida como Pente-de-macaco, que um outro guia falou a respeito em outro passeio, que eu havia visto mas não consegui fotografar.
O guia não conhecia a planta. Mas além disso, ele insinuou que o outro guia talvez a tivesse inventado, para "entreter os turistas".

Aqui fica a minha crítica: cadê a ética profissional? Você não precisa saber de tudo. Mas criticar um colega de trabalho na frente do cliente - no caso, eu? Ficou feio...

Reparei que este é o passeio no qual estão mais ligados na segurança. Fizeram questão de explicar sobre as normas que seguem, sobre como cumprem os requisitos, enfim. Ponto pra eles!

Nadamos em alguns lugares, fotografei bastante. Chegamos ao pé da Cachoeira Boca da Onça, e realmente é espetacular.

No final há um "desafio": Há uma escadaria com 836 degraus que te leva ao topo da cachoeira. O desafio é subir ela toda. Todo nosso grupo topou =)

Durante a subida, há diversos pontos onde você pode fazer uma pausa e sentar-se um pouco. Sempre acompanhado por uma placa com um pequeno poema.

Lá pelos 700 e poucos degraus, começou a chover e aceleramos os passos. Desafio cumprido!

Quando chegamos no topo, estávamos completamente molhados. A vista foi um pouco frustrante. Aliás, não sei muito bem o que eu estava esperando ver hehehe.
Fomos até a plataforma de rapel e tiramos algumas fotos por lá - o lugar é bem alto!

Subir a escada não é impossível se você manter o ritmo e fazer pausas. Mas preciso dizer que foi bastante cansativo.
Voltamos ao local de início do passeio onde foi servido almoço. Almoço bem simples, mas gostoso.
Nesse dia esqueci de levar uma camiseta extra, pois não contava com a chuva =/

Consegue ver a Boca da Onça?

As escadas te levam até aquela plataforma

Alto!!!

Sábado - 14/02 - Nascente Azul (Guia: Éder)

Como nunca havia feito flutuação, agendei dois passeios deste tipo. O guia foi excepcional, um grande conhecedor de mergulho e ajudou demais o pessoal que nunca havia feito flutuação antes.

Preciso dizer que minhas expectativas estavam bem altas nesse passeio, pois foi o mais caro (paguei o valor de alta temporada =/). Fomos informados de que este é o único passeio adaptado para cadeira de rodas. Realmente, todos os outros passeios que fui tinham caminhos inacessíveis por cadeira de rodas. Ponto pra eles!

Aqui o passeio também começa com uma trilha até a Nascente Azul, que é muito bonita. No caminho, há alguns pontos para fotografar.
Nadar na nascente é muito bom. Na verdade, você não percebe a água "brotando" da terra até que você chegue bem próximo à ela. Eles colocaram uma corda para que você chegue perto de onde a água sai. Gostei muito!

A água estava cristalina e o rio é muito bonito, mas tem poucos peixes e o tempo/percurso da flutuação é muito curto. As pessoas que fizeram pela primeira vez adoraram. Pra mim foi "ok".
Na volta, almoçamos no local. O almoço foi ok também.

Este passeio é relativamente novo, então os equipamentos de snorkeling e a infraestrutura do local estavam impecáveis. Talvez, colocar mais alguns chuveiros quentes?

Repetiria este passeio? Não. Talvez, se custasse a metade do que paguei...

Eu na Nascente Azul

Só a Nascente Azul

Pessoas na Nascente Azul :P

Finalmente

Tenha sempre consigo: protetor, repelente, chinelo/papete, toalha e uma troca de roupas.

Ah, e uma câmera em mãos! Eu levei minha câmera compacta velhinha e uma GoPro.
Acho que o kit perfeito é uma câmera superzoom (de pelo menos 6x) e uma câmera subaquática.

Caso você não tenha uma câmera subaquática, você poderá alugar uma por lá - no centro da cidade, no seu hotel, nas agências ou até mesmo no próprio passeio. Desconheço os preços, mas recomendo que se não tiver uma, empreste ou alugue.

Quanto à Bonito, em geral, um ponto negativo: a maioria dos guias não fala inglês.
Em pelo menos dois passeios eu fiz as vezes de um tradutor para um grupo de estrangeiros. Para mim não foi um problema, pois pude conhecer novas pessoas, praticar o inglês e ainda ajudar pessoas!
Mas, definitivamente, eles deveriam cuidar com mais carinho destquestão, visto que há muitos gringos em Bonito e alguns deles tem o primeiro contato com o Brasil lá.

Tenho os nomes das cachoeiras registradas em foto e anotadas, mas não quis publicar para não estragar as surpresas :)

No próximo post pretendo comentar sobre a cidade, o que fazer por lá y otras cositas más.