Vamos ficar sozinhos, juntos?

Pretendia começar este artigo com uma citação de Einstein, que diz que a humanidade se tornará uma geração de idiotas no momento em que a tecnologia se sobrepor às interações humanas. Mas é muito clichê e com certeza você já a leu no seu feed em alguma rede social.


Rede social. Mídia social. Comunidade. Grupo. Publicidade. Propaganda. Dados. Informações. Suas informações.

Aproveitando uma notícia recente, vamos voltar à 2005/6, era pré redes sociais no Brasil.
Lembra-se de quando todo mundo queria fazer parte do seleto grupo de convidados que possuía um perfil no Orkut? Em que eu você tinha que mentir a idade no perfil, afinal, era necessário ter mais de 18 anos eu tinha 12.
Também bombavam as reportagens sobre como as comunidades (“eu odeio segunda-feira”) poderiam atrapalhar os candidatos à um emprego?

Muitas coisas evoluíram nestes quase dez anos, mas meu foco aqui é falar sobre a necessidade de sentir-se disponível.

Afinal, o que são redes sociais senão meios de se manter disponível, pelo maior tempo possível? A maioria de nós possui uma conexão à internet disponível na maior parte do tempo: a rede sem-fios do trabalho/escola/casa, aquele plano de dados que custam centavos e são uma porcaria…

Rede – do latim rete “conjunto de elementos interligados”;

Social – “o que pertence à todos, público, coletivo”.

Tem rede social pra tudo. Pra comentar sobre coisas no momento em que acontecem; Pra postar fotos de comida; Pra competir nos exercícios físicos; Mas todas, acredito, tem o propósito de registrar como sua vida é feliz.

É que tem um problema: fica todo mundo preocupado em manter esses registros atualizados, como bons secretários da própria vida, prestando contas aos patrões virtuais.

Isto em busca de uma aprovação (“Bom trabalho!”) – figurado por um Curtir, +1, Retweet

E ficamos dependentes desses mini-prazeres – o tal ciclo do Desejo & Prazer – banalizados.

Dizem que os brasileiros são a praga da internet, e eu concordo. Culpo nossa falta de memória de longo prazo e a capacidade de nos apegar e entreter com coisa inútil.

Quantas horas você passa produzindo?
Quantas horas você passa consumindo?
já tô divagando.

Por fim este artigo virou um resposteamento (renan esposte + sufixo de ação):
Falei da nossa atual dependência exagerada da tecnologia, por causa de uma necessidade de sentir-nos disponíveis a todo tempo, utilizando redes sociais que nos recompensam com mini-prazeres, e que atualmente essa atividade já é tão banalizada que toma ~30% do nosso tempo online.


Bom, não tenho uma conclusão. Mas te convido a pensar um pouco no que escrevi, e proponho o desafio de você tentar manter-se não-disponível um pouco, quebrando este paradigma de estar sempre "sozinho junto”, e realmente tomar um café com a pessoa do que está aí do seu lado.